Caleidoscópio
13/06/2018

Perguntas nos rodeiam desde sempre, ou pelo menos desde que pudemos começar a pensar sobre o nosso redor. E muitas delas ganharam respostas diversas em diferentes lugares e tempos. Mitos e respostas religiosas são uma forma de nos responder: de onde viemos, por que somos como somos, o que nos torna diferentes dos outros animais, o que acontece depois da morte, como surgiu a vida, entre tantas outras perguntas sobre o que somos e nossas origens.

Mais recentemente na nossa história, começamos a produzir conhecimento com base em argumentos e métodos baseados em evidências, produzimos hipóteses e testamos, repetimos e criamos leis e teorias científicas que mudam ao longo do tempo (tentando se aproximar cada vez mais do que teria acontecido) à medida que conseguimos melhorar nossos experimentos com novas tecnologias ou soluções.

Essas perguntas têm respostas muito difíceis, complexas demais para serem respondidas de maneira curta. Foi preciso descobrirmos muita coisa para depois podermos chegar a respostas coerente e satisfatória. E até hoje nos esforçamos para melhorar essas respostas e conseguirmos aumentar nossos conhecimentos sobre essas questões.

E assim como muitas coisas foram necessárias para termos uma boa resposta, é necessário sabermos algumas coisas antes de começarmos, precisando conversar um pouco com algumas outras áreas que se relacionam bastante (como a química por exemplo) para responder estas e outras questões que costumamos nos fazer.

Uma pequena história da vida

A Terra tem uma diversidade de formas de vida tão grande que nos espanta e nos deixa admirados: de bactérias, protozoários e fungos a grande animais e plantas, do microscópico e unicelular ao pluricelular. Ainda mais impressionante: a vida no nosso planeta parece única quando olhamos nos planetas próximos e não achamos nenhum vestígio de vida, isso faz a Terra parecer ainda mais especial. Aqui, mais de oito milhões de espécies. Nos outros planetas, nenhuma. Pelo menos não encontramos nenhuma até agora.

Então, além de nos perguntarmos “de onde viemos?” e “como surgiu a vida?”, também há a pergunta: por que uma diversidade tão grande? É uma longa história da vida na Terra, uma história da qual sabemos um pouco e que podemos tratar rapidamente neste texto, ficando pequena quando pensamos nos livros grossos que já foram escritos para tratar do tema.

Uma origem da vida

Há quatro bilhões e meio de anos, no começo da história do nosso planeta, quando ele ainda estava terminando de resfriar, a jovem Terra sofria com intensas atividades vulcânicas que lançavam gases na atmosfera em grandes quantidades. Há aproximadamente quatro bilhões de anos, surgiram as primeiras formas de vida na Terra, menos complexas que uma bactéria, com uma organização simples o suficiente para ser possível surgir.

Como seria a Terra há bilhões de anos.

Na verdade, é provável que, bem no início, fosse apenas um tipo de material genético que se copiava com alguma facilidade, tendo sido mais tarde envolvidos por membranas. Os fosfolipídeos, o tipo de molécula que forma as membranas que envolvem nossas células, têm uma tendência natural a se juntarem de forma a se fecharem em algo próximo de uma esfera, assim, o aparecimento de uma membrana não seria a coisa mais improvável e difícil de acontecer.

Mas antes mesmo de o primeiro organismo aparecer, seria necessário haver disponível elementos fundamentais para o surgimento da vida, como a presença de compostos orgânicos: moléculas grandes e ricas em carbono. Essas moléculas estavam lá?

Muito provavelmente estavam. Mas a pergunta que se segue é: como podemos saber disso? Começando pelo que sabemos: a ideia mais aceita é que essas moléculas orgânicas tenham surgido através de reações químicas entre outra moléculas presentes na atmosfera da Terra há mais de quatro bilhões de anos, estimuladas por correntes elétricas e calor, pois era uma época de intensas atividades atmosférica (raios) e vulcânica, além de uma maior quantidade de radiação.

Oparin e Haldane, dois cientistas do século passado, propuseram uma hipótese. Na verdade, ambos tiveram ideias parecidas, com algumas diferenças, mesmo trabalhando separados. A hipótese é hoje chamada de hipótese de Oparin e Haldane e basicamente é a ideia de que essas moléculas orgânicas que deram origem aos primeiros seres vivos teriam surgido de moléculas inorgânicas menores e mais simples presentes na atmosfera terrestre da época.

Mais tarde, outros dois cientistas, Urey e Miller, propuseram um experimento que simulava a atmosfera terrestre da época em que a vida teria se originado, com algumas descargas elétricas, simulando os trovões, e conseguiram observar moléculas orgânicas se formarem, incluindo alguns aminoácidos, as moléculas que formam as proteínas.

O experimento montado por Urey e Miller.

Apesar de a composição atmosférica que eles supuseram ser questionada nos dias de hoje, variações desse experimento foram montadas desde então. E mesmo o experimento deles não sendo uma prova definitiva de como exatamente a vida surgiu, o mais importante foi provar que é possível moléculas inorgânicas pequenas e abundantes formarem moléculas orgânicas maiores fundamentais para a vida.

Até porque dificilmente chegaremos a uma resposta absoluta, a uma certeza, pois mesmo a maior confiança nas evidências e nos nossos métodos atuais não nos tiram as dificuldades de investigar algo que aconteceu há bilhões de anos e que não deixou registros. Mas o importante é pensarmos em hipóteses que possam ser testadas, que nos permitam prever resultados e, no experimento, possamos ver se esses resultados acontecem ou não.

Como não podemos viajar no tempo para observar como as primeiras moléculas se formaram, nossos testes ficam restritos ao que podemos observar nos dias de hoje ou simular em experimentos. Então, mesmo que Urey e Miller não tenham acertado completamente, o experimento não deixa de mostrar que é possível e provável que moléculas orgânicas surjam a partir de moléculas inorgânicas mais simples. Assim, parte da ideia da hipótese de Oparin e Haldane encontra um bom suporte: as moléculas necessárias para a vida surgem de moléculas mais simples presentes na atmosfera e podem, a partir daí, dar origem aos primeiros seres vivos simples.

Exemplos de moléculas: gás carbônico, água (moléculas inorgânicas) e sacarose (molécula orgânica).

Outras questões, que serão tratadas em textos futuros, podem ser levantadas sobre a evolução e a diversidade da vida na Terra, sobre como surgiram os primeiros animais pluricelulares e sobre a história da humanidade no meio disso tudo. Caso queira ler um pouco mais sobre os temas deste texto, algumas boas fontes são:

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/a-hipotese-oparin-haldane.htm

https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Evolucao/evolucao4.php

https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Evolucao/evolucao5.php



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